Por Mariana Mesquita e Luccas Diaz

A produção de conteúdo midiático nunca esteve tão alta em toda a história da humanidade. Por um lado, se isso traz ótimos benefícios, as consequências que acarreta, entretanto, podem ser cruciais para o futuro desse meio. É o que defende a especialista na era da pós-verdade, Patrícia Blanco.

Formada em Relações Públicas, é a presidente do Palavra Aberta, um instituto sem fins lucrativos que trabalha em defesa da liberdade de expressão, da livre-imprensa e da liberdade de escolha. Contra todo tipo de autoritarismo, o instituto enfrenta diariamente novos desafios na luta pelo direito de acesso à verdade e à informação de qualidade.
Blanco em palestra no Centro Universitário Belas Artes

Segundo Blanco, no mundo moderno “não há mais barreiras: em todo lugar há informações”. Um dos principais causadores desse fenômeno é o sentimento geral de que todos podem ser jornalistas. Ao ter tudo tão acessível, iniciou-se um processo de criação do “cidadão-repórter”, com todos querendo dar o furo de notícia. “Passamos para uma comunicação multidirecional, todos falam para todos” afirma a especialista.

Com tanta gente falando assim, fica difícil averiguar se todo conteúdo produzido é autêntico, verídico e checado. Patricia explica que as fake news sempre existiram, porém é nessa era atual da pós-verdade que ela ganha força e se estabelece como um dos maiores inimigos da comunicação. Segundo ela, o problema se intensifica na medida que as ideologias e crenças superam os fatos.

Em pesquisa realizada pelo Instituto de Tecnologia de Masachussetts (MIT), é mostrado que as notícias falsas têm 70% mais chances de serem compartilhadas em redes sociais e em grupos de aplicativos de mensagens do que notícias verdadeiras. Isso porque geralmente elas retratam casos absurdos, supostamente inéditos ou apenas que reforçam exageradamente um determinado ponto de vista.

Dicas de como evitar cair em uma fake news e como se portar diante de uma são sempre priorizar a checagem e a verificação da informação e de sua fonte e dar preferência a portais renomados e que propagam informações de qualidade.  Pensando em um futuro com a realidade das fake news ainda mais presente, Blanco defende a educação midiática nas escolas, um projeto do Instituto Palavra Aberta que pretende ensinar crianças e jovens a viverem em um mundo tão rodeado de informação e dados. Para saber mais sobre o projeto, clique aqui.